O outro em nossas vidas - Lembranças de um Menino Maluquinho

Palavras chave: Coach, Coachee, Coaching, Comprometimento, Lealdade, Mapa/Território,Outro, Relações Humanas

Boas lembranças de um menino maluquinho que comigo conviveu, com muitas sapequices. Dedico a você Basílio, meu irmão, este artigo, e espero que você possa senti-lo, onde estiver....

Certa vez, quando criança, após ponderar muito, e achando que estava fazendo um bem enorme para meu irmão e para a humanidade (não lembro bem o que ele fazia de tão errado), fui entrega-lo para minha Mãe, com um discurso recheado de hipóteses e com uma sentença de culpado na ponta da língua. Estava aguardando obviamente uma enorme recompensa pelo ato. Qual não foi minha surpresa, recebi um enorme olhar de reprovação misturado com um pouco de censura e decepção:

- Minha filha, disse ela, ele é seu irmão, seu amigo, como pode você nas suas costas recriminá-lo e acusá-lo. Você tem certeza do que está afirmando, ou apenas acha que é verdade (era no momento a minha posição). Eu preferia jamais saber do erro que ele está cometendo, ou que você acha que ele cometeu, do que ter ouvido uma filha minha entregar seu irmão, sem direito do mesmo defender-se.

Confesso que naquele momento não entendi bem o que estava acontecendo, pois que na minha mente infantil, o importante era resolver a questão e mostrar a minha importância dentro do episódio. Embora a conclusão desta história tenha sido favorável na minha formação intelectural, minha mãe não soube compreender o mapa/território(*) daquela garotinha, que queria ser apenas útil dentro do episódio.

Pelo resto de minha vida, procurei sempre ser muito leal à verdade e aos amigos. A lição valeu. Sorte minha visto que na vida, pouco nos ensinam sobre lealdade e comprometimento. Obviamente, eu já me perdoei pelo episódio, visto que era muito pequena, e este meu sapeca irmãozinho, tornou-se no decorrer dos anos quase um filho para mim e tive muitos momentos para demonstrar-lhe todo meu afeto, minha lealdade e hoje minhas saudades, pois o mesmo já não está entre nós.

Mas "vira e mexe", em nossas vidas, em nossas relações pessoais, em nossos pensamentos aparece o ser humano "o outro", que conosco convive, usa o mesmo elevador, conta histórias engraçadas que aconteceram no fim de semana, pede conselhos, ouve, cansa de ouvir. Pede dinheiro emprestado, às vezes empresta, vende rifa as vezes compra. Quem é este outro? Apenas um acidente geográfico em nossas vidas? Qual é o comprometimento que devemos ter com ele? Enquanto dividimos o mesmo espaço, há férias que até sentimos saudades dos nossos colegas de trabalho. Não é mesmo????

Na verdade, conseguimos mensurar a nossa capacidade de viver em sociedade, quando este "outro", desaparece de nosso olhar. Confesse: Você já teve a tentação de acusar um ex-amigo seu, para explicar algum episódio estranho em seu meio. É muito fácil, eu não vou vê-lo mais...a situação estranha fica resolvida e todos ficamos bem dentro da ocorrência...

Os nossos olhos passam a ser a nossa diretriz, agindo apenas como vitrines a serem expostas e ou visitadas, por termos algum interesse peculiar..

Quando temos menos de 6 anos, como era o meu caso com meu irmãozinho, e talvez até você se lembre de alguma cena, somos pouco operacionais/racionais. O egocentrismo é especialmente preponderante nesta fase. Tudo gira em torno de nosso umbigo. Tudo acontece em função de nós próprios e fundamentalmente apenas o que vemos tem importância. Analise uma criança nesta fase indo para a escola. Chora se recusa a entrar no estabelecimento de ensino, não quer se separar dos pais. Basta que os pais se afastem e que ela tenha certeza que voltarão, que todos os seus medos se acabam, e elas se entregam ao novo ambiente. Parece até que nós pais, não temos a menor importância, tal o desprezo.

Como você se sentiria se aquele citado amigo, que você mesmo inocentemente fez uma falsa acusação e ou cometeu uma pequena traição, reaparecesse magoado e decepcionado com você? Para enlamear mais a situação, você encontraria boas desculpas, contaria uma nova piada, inventaria histórias engraçadas que tem acontecido em sua vida, mostraria um spam interessante que anda aparecendo na sua caixa de e-mail, etc, etc... tudo em nome do velho e sempre úlil Jogo de cintura, que nos tira de cada enrosco...

Há uma situação todavia, que "nos entrega de bandeja", o nosso olhar. Como é difícil olhar nos olhos das pessoas que estamos em dívida!!!. Um grande amigo meu, dizia que atrás dos olhos temos um quarto de despejo. Todas as vezes que olhamos para alguém, os fatos, as imagens, as lembranças, relativas aos interlocutores refletem em nossos olhar.

Não há outra solução, como nos quartos de despejo ideais, nada é jogado fora, fica lá guardadinho, esperando o grande momento de nos entregar. Se não há solução o importante nas relações entre amigos é a sinceridade e a lealdade. Pode não resolver as intrincadas questões relativas ao comprometimento entre você e o outro. Mas certamente vai deixar, pelo menos, seu quarto interno de despejos mais arrumado, visto que nunca conseguimos mesmo jogar coisas velhas foras, e vai lhe dar uma tremenda sensação de bem estar.

Um Coach tem ouvidos treinados para ouvir essas e outras histórias e fazê-lo(a) compreender a si mesmo e ao outro.

(*)O termo Mapa é a forma como as pessoas interpretam a realidade (território). Cada ser humano tem uma versão dela. Não é a mais certa ou mais errada. É a sua versão. No artigo "Mamãe não tem Namorado", há uma explicação sobre Mapa/Território. Click aqui

   

 

 

 

Master Practitioner em PNL

 

 

 

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Elza Conte - Uma Coach que acredita em constante reconstrução.

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